Vastos e Imperfeitos...



As vastas emoções e pensamentos imperfeitos que gravitam sobre os sonhos deste personagem me impressionam, assim como tudo de Rubem F. Compartilho, então. Deleitem-se e degustem sem parcimônia:


"Acabei dormindo. Foi assim o sonho: Uma mulher vê televisão sem parar durante quase meio século, filmes dublados, televisão sem parar durante quase meio século, filmes dublados, telejornais, novelas, publicidade, entrevistas com idiotas, tudo enfiado no seu crânio. Centenas de vezes muda de vestido, de cara e de voz, de maneira de falar, de sabão em pó, de desodorante, de cigarro, de margarina. Diz: 'Já não corro nos intervalos para fazer pipocas ou fuçar a geladeira'. Agora nem se levanta mais. Estende a mão, apanha uísque ordinário, o gelo na caixa de isopor. Suaves são as cores da indiferença: ninguém mais manda nela."
(Rubem Fonseca, in Vastas emoções e pensamentos imperfeitos)
E aí? Algum reflexo?

Vinte uma perdas respiratórias...

Primeiro o espanto. A vontade de correr quilômetros. A corrida anima, provoca-me o regresso sem medo das perdas. O fôlego me passa despercebido, não consigo encontrar. Ar: preciso de. Dor: crônica. No vayas. No vayas. Dê-me sopros. Espíritos. Espécies diversas deles. Enfim, a brisa, regalo. Enfim, o começo.



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Decurso
Não, minha respiração já não é mais a mesma e a taquicardia sempre me obriga a lembrar de arroubos de outrora.


Aparente conversa banal comigo mesmo


Ele estava sentado como se dormindo de olhos abertos, olhos inexpressíveis, a não se importar com minhas súplicas. As pernas flexionadas ao máximo, sua cabeça repousada sobre os joelhos em perfeito ajuste de formas. Braços e pernas envoltos a um grande casaco de plumas pardas, ou brancas eivadas de terra árida. Primeiro movimento. A cabeça, somente ela, inclinou-se em minha direção. Analisei, perplexo, o tom de despedida imbuído naquele aceno. “Chegou minha hora”, praticamente disse. Prantamente, vi se erguerem alguns poucos centímetros, permanecendo neste momento apenas os largos pés pregados ao chão. O movimento galináceo da cabeça a fronte propiciou o primeiro passo ainda em encolhimento. Pareceu-me que as articulações da criatura, não ouso mais dar formas humanas a ela, precisavam de um certo exercício de concentração até poderem retomar à labuta. O movimento das pernas foi aumentando. As pernas em dobradiça avançavam no terreno de poeira. O ângulo de flexão dos membros aumentava a cada passada. Uma corrida de impulso não impulsiva. Pernas quase eretas, velocidade aumentada, cabeça invariavelmente para frente e para trás, dando bicadas no ar. Os largos pés em contato com a terra passaram a produzir um som seco e mortificante. Gosto da terra na boca. Lágrima e terra. Mais velocidade. Os braços, desembrulhados, descerraram-se em enorme envergadura. Grande varal de penas. Asas em início de batimento. Pés, flutuando, seguindo o resto do corpo em posição horizontal. Vista perdida. Para onde terá ido minha consciência? Para onde?



A Queda de Ícaro, óleo de Jacob Peter Gowy (1636-37).

Dos mais variados frios
Das mais variadas experiências sensoriais
Das faculdades mentais devidamente exercitadas
Não há mais explicação
Não há mais
Só desejo.

Faltou ar...


asfixia
(cs) sf (gr asphyxía) 3 Falta de ambiência moral para o exercício de certas faculdades ou franquias.

(Dicionário Michaelis)


- Lembra?
Fez que sim com a cabeça, ostentando um sorriso elegante.
- Era estranho, né?
- Era bom.
- Era errado ou indeciso?

- Certamente indeciso, incertamente errado.
A concordância o fez perder palavras.

Homenzinho de bolsos e...

Há um homenzinho diferente, de hábitos peculiares e de difícil entendimento. Resguarda-se quase que integralmente, prevê seus atos, calcula antecipadamente o tamanho de suas palavras com uma régua que carrega em sua mochila. Cada palavra, uma medida. É nesta mochila, por sinal, inseparável às suas costas largas, que ele guarda segredos e surpresas. Mas não se engane. Ele mesmo não se engana. Seus atos e palavras são bastante falhos, embora previamente organizados. Sua régua é feita de tecido elástico, com marcações à mão de caneta tinteiro, e o homenzinho é desastrado em suas tarefas mais banais, como andar, segurar objetos, desviar dos mesmos. Ele canaliza as idéias, organizadas nem sempre, numa parte estratégica do seu cérebro e depois as separa, educadamente, em cada bolso, segundo qualidade, cor, tamanho e destinatário. Muitas vezes se perde por lá, maravilhado que fica, de modo a perder certos sentidos temporais e espaciais. O homenzinho se vislumbra muito facilmente com as pessoas também. Ele as admira de tal forma que pouco enxerga de ruim nelas. Apaixona-se pelos gestos, pelos risos, pelos silêncios e pelas incompreensões. Assim vive em paz o homenzinho, consigo e com todos, ele e sua mochila, carregados de ilusões e desapontamentos, numa eterna busca por onde pôr seus pensamentos, pelo tamanho de suas ações, pelo sentido completo de suas relações humanas. Eis um homenzinho.

Não se preocupe com feridas. Conviva com elas e tome minhas lágrimas.

Sustento...

Enclausurado em alcova de pensamentos e sentidos. Assim me sinto, submerso em desalento, escurecido por falta de olhares. Se quer poderei clamar por liberdade. "Não quero tanto. Basta um bocado. Um punhadinho de nada"."Perdão, meu caro. Perdão". Para que servem as remissões se careço de sentido. Meus pedaços todos ali, esparramados, sem cuidado algum. Reconheço-me, enfim. Não me juntam as partes. A costura cederia facilmente, corredio que sou. Onde estariam as janelas? Grito, apesar do silêncio engolir-me em exíguas porções. Não precisa fechar. Não há saída. Não houve entrada. Deixe um recado e volte, de feridas abertas ou não.

O Criador

Há alguns dias O Criador tem tirado alguns risos meus. Impressiona-me o seu humor. Compartilho, então, algumas pérolas deste twitter divino, que pode tirar todas as suas dúvidas, sobre TUDO mesmo, no SAC Divino.

Palavras d'O próprio Criador:

Na escola fundamental de Jerusalém, há 2000 anos: João? Presente! Pedro? Presente! Jesus? Onipresente!

Meu amado filho @hasegava, és muito bom com piadas. Trarei você para perto de Mim em breve. Aguarde.

Não twittar Meu santo nome em vão. #twittiqueta

Para convencer Eva, a Serpente disse que comer maçã emagrecia.

Se vocês não tivessem escolhido Barrabás, amanhã comemorariam o Habeas Corpus Christi.

Mais de 2000 anos, com um Corpus Christi de 33.

ATENÇÃO: @Buda @Maome e @Krishna são fakes!

O Espírito Santo 2.0 não é mais uma pomba branca, é um passarinho azul.

Maldito livre arbítrio, que permite vocês fazerem qualquer Parada.
Adão sempre aguardava ansiosamente pelo outono, a época em que as folhas caem.

Humanos, como entendê-los? Vocês rezam para viver para sempre. Mas ficam em dúvida quanto ao que fazer em cada final de semana.

Nietzsche está morto, Eu ganhei!

Minha assessoria de imprensa é tão boa que fez todo mundo acreditar em uma cobra falante.

Ser onipresente é bom, mas tem suas desvantagens, como, por exemplo, quando a Hebe Camargo toma banho.

Jesus disse que se pudesse escolher entre coroas, preferiria a de espinhos, em vez da Madonna, como fez seu xará.

José Sarney se faz de santo. Pensa que, por eu ter escolhido Meu filho Jesus como o Messias, o nepotismo está liberado.

Tem gente que é contra a guerra entre Palestina e Israel, mas briga há 12 anos com um vizinho por uma vaga de garagem.

Michael já chegou perguntando pelo menino Jesus.

O que tem de anjinho aqui se escondendo atrás das nuvens...

A diferença entre Mim e o Sarney é que eu não penso que sou ele. #forasarney

Na Minha "Computação em nuvem", dá para baixar espírito via torrent.

O milagre de o Obina ter feito gol não é uma prova que Eu existo, é uma prova Eu existo e tenho senso de humor.

Desculpem pela chuva no Maranhão. Já avisei a São Pedro que o Sarney está em Brasília.

Querem os números da Mega Sena? Os números da Mega Sena desta semana e de todas as outras são de 1 a 60.

Essa Eva não aprende mesmo. Acabou de chegar aqui com um Mac.

À chuva...

Mansamente ela vem, como quem não quer nada, carregada de intenções e silêncio.
Olhando sem mira, só por olhar, cai num barulhinho bom.
Pára nos rostos, nos sorrisos bobos, nos olhares indecifráveis,
e se aconchega, a repousar naqueles que sentem regalo de bem-querer.



Não?

Ela disse sim.

Disse, sim, é verdade.
Em noite estranha,
de sustos, acasos
e chuva.
Ah... que chuva.

Ela dirá sim.
Dirá, sim, será verdade.
Em noites estranhas,
das mais conturbadas
às mais verdadeiras,
molhadas ou não,
estarei em prodidão,
a perguntar
sem esperança de respostas.

Daí direi sim.
Direi,sim, por que não?
Nas manhãs frias
e nas noites quentes,
direi.
Ah... se direi.


Be careful...

It´s one PM. Let's not make any sudden moves.

"Tantas vezes eu quis ficar solto"...

Prendo-me, enfim, na vã tentativa de sentir-me mais seguro, de conhecer minhas paredes. Prisão perpétua de sensações variadas*. Loucura pé-no-chão. Ficar solto não depende mais de mim. Da busca e da espera.


*variar
va.ri.ar
(lat variare)
vint 7 Alucinar-se, enlouquecer, perder a razão. vint 8 Delirar por efeito de febre alta.




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Decurso
É quase consenso: só escreve quem é triste.

>>Tom e Vinicius: "o poeta só é grande se sofrer"
Chegando estranho em casa.
>>Dalto é
muito estranho, mas é bom.

Afinando meu humor...

As pessoas precisam ler mais tirinhas. Precisam mesmo.
Fica a dica. Malvados são realmente malvados. Por isso é fabuloso de tão bom.

Li:

(clique sobre a tirinha para ampliar)



E também:

"Em nossas instalações de fabricação, administração e distribuição, temos uma filosofia específica - as câmeras fazem com que as pessoas honestas continuem honestas"

Leo Myers, engenheiro de segurança e sistema de vigilância da Mattel, explicando o uso entusiástico pela empresa de sistemas de vigilância sobre sua força de trabalho global, 1990

Vocês sabem...

"Make it easy to be near you,
For the things you do endear you to me,
you know I will.
I will"
(I will - The Beatles)


Há de haver quem queira escutar "I will" (Singelo arranjo e perfeita letra, que não consigo proclamar). Há de haver.


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Decurso
Incompreendido
Mudado
Errando de bar em bar